A chegada do frio normalmente não vem sozinha. Traz consigo uma grande variação de temperatura e umidade do ar. Com tanta variação, não há como algumas doenças não surgirem. Mas a incidência de crianças, jovens, adultos e idosos doentes é uma consequência também de descuidos e de comportamentos comuns ao período. As pessoas nessa época do ano passam mais tempo dentro de casa, com as janelas fechadas, e quando resolvem sair para passear, em vez de irem a um lugar aberto, escolhem um fechado. Essa aglomeração em lugares assim facilita a propagação de bactérias e vírus, aumentando o número de infectados.

Conforme a Organização Mundial de Saúde, uma em cada sete pessoas sofre com doenças inflamatórias, alérgicas e respiratórias, que tendem a aumentar no inverno. Mas o que muitos não sabem é que a gripe, rinite e outros problemas comuns – que aumentam com a chegada das baixas temperaturas – não são provocados por andar descalço no chão gelado ou pelo vento fresco, mas principalmente por infecções virais, ocasionadas por ficarmos aglomerados em ambientes fechados, o que ajuda na proliferação dos vírus.

A estação mais fria do ano exige cuidado redobrado com a saúde. O ar mais seco facilita o aumento da poluição e a proliferação de vírus, o que contribui para elevar a frequência das infecções das vias respiratórias. As infecções respiratórias são as vilãs dessa estação, e muitos sofrem com as mais comuns, como sinusite, otite, pneumonia, gripe, resfriado, rinite, asma, amigdalite e bronquite. As crianças são as grandes vítimas neste período. Com o sistema respiratório em formação, sem a mesma imunidade que os mais velhos, são alvos fáceis de vírus e bactérias.

Quem tem crianças ou idosos em casa deve ficar atento e reforçar os cuidados durante o inverno. Segundo especialistas, as mudanças repentinas no clima, típicos da estação, favorecem a ocorrência de doenças respiratórias e podem, inclusive, resultar em infecções mais graves, como a pneumonia. Nos dias mais frios, a orientação é se agasalhar bem e evitar aglomerações.

Cuidados para evitar infecções respiratórias em bebês

Lavar as mãos com água e sabonete e usar álcool gel; evitar lugares aglomerados; manter o ambiente bem ventilado e optar por passeios ao ar livre; evitar beijos em bebês pequenos e passar de colo em colo; usar lenço descartável ou o braço/antebraço interno como barreira para tosse ou espirro; manter uma dieta equilibrada e variada, com frutas e legumes da estação; manter a carteirinha de vacinação da criança em dia.

Doenças complicam com o frio

A chegada do frio e o aumento do número de casos de doenças respiratórias também acaba influenciando nos hospitais, com um grande incremento nas filas dos prontos-socorros e também internações. O aumento nos atendimentos a crises desse tipo ocorre sempre no início de junho. Segundo dados registrados nas unidades básicas de Saúde em todo o país, apenas a chegada do inverno já faz crescer a demanda espontânea (consultas não agendadas) em aproximadamente 10% em relação ao restante do ano. Conforme o inverno avança, algumas cidades chegam a mostrar mais de 30% de aumento no volume de casos. As pessoas já portadoras de doenças respiratórias crônicas, como asma, doença pulmonar obstrutiva crônica ou rinite alérgica, com maior tendência a apresentar crises, precisam ser acompanhadas de perto, porque, se agravadas, as doenças podem levar a internações.

A rinite pode ser considerada a doença respiratória que tem maior alcance – é um problema global de saúde pública, já que afeta cerca de 20 a 25% da população mundial. Embora com sintomas de menor gravidade, ela está entre as dez razões mais frequentes de atendimento nas unidades básicas de saúde. Quando se manifesta, afeta muito a qualidade de vida, podendo causar, de começo, prejuízos na rotina diária (faltas recorrentes no trabalho ou na escola, por exemplo).

O Ministério da Saúde admite que, mesmo com tantos portadores, é uma doença subdiagnosticada, pois nem todas as pessoas que têm rinite procuram atendimento – o que causa falta de controle dos sintomas e uso errado de remédios (especialmente nessas estações do ano, com o desconforto maior que trazem). Para se ter ideia da importância das doenças respiratórias no Brasil, registros do DATASUS (sistema de dados do Ministério da Saúde) apontam que elas representam, em conjunto, as principais causas de internação no país (fora internações ligadas à gestação e ao parto) com mais de um milhão de casos por ano.

O Brasil ocupa a oitava posição mundial em prevalência de asma, por exemplo, e registra cerca de 270 mil internações ao ano. No caso dessas doenças crônicas, a melhor maneira de prevenção do agravamento no período de outono/inverno é o acompanhamento clínico e o uso correto das medicações de controle definidas pelos médicos. A vacinação contra a gripe também é uma ferramenta de prevenção. Além disso, todos devem fazer esforço extra para evitar contrair e espalhar doenças.

Expediente

Andres Editora Jornalística Ltda.
Rua General Osório, 2341/Sala 1 - Centro São Borja,RS - 97670-000

Fones: (55)3431-1100 / 3431-2394
Email: [email protected]

assinatura