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É preciso muito mais que um simples processo de impeachment para que tenhamos um Brasil melhor

Rômulo Augusto Araújo Bronzel (*)

O momento histórico por que passa nosso país, com o prosseguimento do processo de impeachment da presidente da República, aprovado por 367 dos 513 deputados que compõem a Câmara Federal, com certeza indica algo muito maior que o simples afastamento da pessoa ocupante do mais alto cargo executivo.

Ao assistir às manifestações dos deputados na tarde de domingo é possível extrair muito pouco do que o Brasil quer ouvir. Infelizmente, esse é o verdadeiro retrato da política em nosso país. Os líderes têm pouco a dizer, falta sensibilidade para interpretar o anseio da nação, não há engajamento com a vontade emanada do povo.

O sentimento que se perpetra há anos em nosso país é o da “mais-valia” para com o Estado, no qual os políticos de todas as esferas investem seu precioso tempo em favor de valiosos benefícios a si próprios e aos seus financiadores, condição essa que ficou muito bem caracterizada na votação de domingo.

Não há pauta por um Estado melhor; ninguém protesta a favor dos meios de produção e distribuição de riquezas através do trabalho digno, alcançado por uma educação de qualidade. Não se vê nem um partido sequer protestar por um planejamento integrado e uma unicidade de esforços. Serão esses objetivos muito distantes? Essa é a interpretação do mercado internacional, que mesmo após a votação do processo de impedimento reluta em trazer seus dólares para o Brasil.

É preciso muito mais que um simples processo de impeachment para que tenhamos um Brasil melhor – aliás, há um grande risco de esse procedimento cair em verdadeiro descrédito internacional, pois se aguardam mudanças drásticas para oferecer crescimento ordenado à nação, mas que custarão impopularidade àqueles que subiram ao púlpito para declararem um sim com o simples objetivo de agradar suas bases.

Muitos estão a comemorar e outros tantos estão a chorar nessa data, mas sem saber propriamente o porquê disso tudo. A população se encontra movida por paixões plantadas, por uma dualidade sem compromisso, sem pauta e irresponsável.

Com certeza é preciso haver consequências para irresponsabilidades dos nossos governantes – consequências políticas e criminais, aliadas à necessária expropriação de todo e qualquer dinheiro desviado da finalidade pública aos bolsos de particulares, sem o que perpetrará aos criminosos o estimulante sentimento de que valeu a pena.

Faz-se necessária, nesse momento, uma profunda avaliação da política e do papel do Estado, não apenas por aqueles que ocupam os seus mantados outorgados pelo povo, mas necessariamente pelas famílias brasileiras, por todos aqueles que, independentemente de lado, estiveram nas ruas. É indispensável o amadurecimento da população quanto ao sentimento do que representam a política e as ações humanas para uma vida em sociedade.

Nesses últimos anos, o que se vê na condução dos poderes é um Legislativo que, no afã de produzir leis, a cada dia mais usurpa a liberdade e o poder de livre arbítrio do cidadão; um Poder Executivo sem capacidade cognitiva de dar atenção aos problemas fundamentais que necessita prover; e um Poder Judiciário pessoalizado, sem condições sistemáticas de enfrentar o objetivo da paz social com a grandeza merecida e os vultosos recursos a ele destinados.

Assim como as famílias fazem muito bem, os três poderes devem se conscientizar de que reclamar de falta de dinheiro raras vezes resolve os problemas; devem assimilar que o Estado não produz riqueza alguma sem uma iniciativa privada forte e segura, que a nação deve oportunizar negócios e circular riquezas para que esse enorme condomínio que é o Brasil consiga progredir com grandes feitos para toda a população.

Uma única batalha não garante o êxito na guerra; por isso, é necessário alavancar todo esse sentimento que brotou no seio da nação para ações efetivas, de combate firme aos desmandos na seara pública, de discussão cotidiana da política nas famílias e, principalmente, na quebra de paradigma de que política é para corruptos – do contrário, os teremos para o resto de nossas vidas.

(*) Especialista em Processo Civil com ênfase em Constitucional e mestrando em Internacional Business pela Universidade de Steinbeis (Alemanha), é professor de Direito Empresarial na Escola Superior de Advocacia (ESA/OAB-PR) e foi vice-presidente da Comissão de Direito Empresarial e presidente da Comissão de Responsabilidade Social e Política da OAB-PR (gestão 2013/2015)

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