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Gregório Avanzi Pelegrino (*)

Sempre me deparo com pessoas na vida que perderam a essência do viver. Aqueles que fazem da melancolia o próprio chão, outros que perpetraram as raízes do conformismo em algum lugar. Ou até quem vê no horizonte mais medo que oportunidade. Tenho dificuldade em lidar com situações como essa porque carrego comigo um sentimento que nossos colegas gringos gostam de chamar de wanderlust. Amor por viajar, pelo desconhecido, ou o famoso inconformismo brasileiro aqui para nós. Note que essa vontade não é derivada de algo que eu sinta falta em nosso território, muito pelo contrário. São as maravilhas que já tive a chance de presenciar que inspiram a constante busca por ainda mais. Dos lugares que passei e vivi, das pessoas que conheci e das histórias das quais fiz parte, da acidez dos paranaenses, a versatilidade dos paulistas, o grosso dos mato-grossenses e até a beleza do Rio Grande do Sul. As palavras falham no ato de descrever tais sentimentos de forma simples. Repare também que nem sempre essas idas e vindas são limitadas ao mundo real. As melhores viagens também são pautadas em músicas, sentimentos, bons beijos ou noites acalentadas. De forma geral, tudo aquilo que faz com que nos espaçamos da chatice cotidiana e abra novos parágrafos para se preencher. O que não me conformo são essas pessoas que preferem deixar suas próprias páginas em branco.

Chamarei essas pessoas de “esquisitos”. Os esquisitos não sabem da regra do arquipélago (ser uma ilha, mas sempre rodeado de mais ilhas), os esquisitos sofrem por precipitação e não gostam de arriscar. Acreditem, os esquisitos vivem sempre na zona de conforto também, achando que se algo der errado, a vida inteira está arruinada para sempre. O que falta na vida dos esquisitos que poderia justificar tal comportamento? Seria um trauma passado? Um medo cronológico? Eu não faço ideia. Mas posso te contar que convivo com várias pessoas que adotaram esse estilo de vida, e tento meu máximo para reconfigurar suas metodologias sórdidas de autoflagelação.

 

Acreditem ou não, também já fui esquisito. Uma fase (e que fase) da minha vida que nem sempre me agrada recordar. Depois de passar por certos apuros, percebi que o maior pecado da vida é negligenciar o direito de viver, e desde então fiz dessa minha doutrina.  Admito que botar a corneta para gritar do dia para a noite não seja uma atitude fácil, mas é um processo gradual, como uma aceitação para uma mudança de vida válida. Para finalizar, convoco a todos que prezam pela instabilidade para promover essa ideia a todos. É certo que nem todo mundo vai ser adepto de primeira, mas a persistência garante que isso tudo valha a pena. Ajude um esquisito perto de você.

(*) Acadêmico de Jornalismo da Unipampa

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