Mario Eugenio Saturno (*) 

Para um país que tem um potencial solar e eólico como o Brasil, os investimentos na área ainda são vergonhosos, mas estão melhorando. Segundo o Boletim do Ministério de Minas e Energia de janeiro de 2016, o número de usinas de geração de energia eólica no Brasil quadruplicou nos últimos cinco anos, passando de 70 parques em 2011 para os atuais 316. O montante representa uma expansão de 6.208 megawatts (MW) de capacidade instalada, que totalizou 7.633 MW, contra os 1.425 MW de 2011.

O aumento expressivo de usinas no Brasil é resultado dos Leilões de Energia para a fonte eólica, iniciados em 2009. Desde então, o Nordeste representa o maior polo da energia eólica no Brasil. A região respondia por 4.588 MW da capacidade de produção nacional, seguida pela região Sul, com 1.576 MW, segundo o Boletim de Geração Eólica de novembro de 2015 do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). A energia eólica também se destaca no crescimento, em dezembro de 2015, comparado com o do ano anterior, foi de 56%.

Considerando todas as fontes, a geração cresceu 6.945 MW, sendo 2.457 MW de geração de fonte hidráulica, de 1.737 MW de fontes térmicas e de 2.745 MW de fonte eólica. Só no mês de dezembro de 2015 entraram em operação comercial 1.331 MW de capacidade instalada de geração, 472,0 km de linhas de transmissão e 233,0 MVA de transformação na Rede Básica.

A participação da geração eólica, que é sazonal, teve recuo, passando de 4,8% em dezembro de 2015 para 3,0% em janeiro de 2016. Já as usinas térmicas reduziram sua participação de 23,7% para 20,5%. Já no mês de março, o nível de armazenamento dos reservatórios aumentou em todos os subsistemas. E a produção térmica reduziu sua participação em 1.600 MW.

Já no mês de março de 2016, a capacidade instalada total de geração de energia elétrica do Brasil atingiu 142.610 MW. Nos 12 meses anteriores, houve um acréscimo de 7.265 MW.

No dia 16 de maio, a geração eólica na região sul do Brasil bateu novo recorde com 1.262 MW médios. A quantidade gerada é suficiente para abastecer aproximadamente 5,6 milhões de consumidores residenciais, com base no consumo de energia residencial de 2015.

Com a expansão da geração eólica no país, a fonte vem batendo sucessivos recordes. Atualmente a região Sul representa o segundo maior polo da energia eólica no Brasil, atrás da região Nordeste. O recorde de geração eólica no submercado Nordeste ocorreu no dia 20 de abril de 2016, atingindo 3.702 MW médios.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizou em 25 de maio a operação comercial de seis usinas eólicas localizadas no complexo dos Ventos de São Clemente, no estado de Pernambuco.  As novas usinas acrescentarão 166 MW de capacidade instalada ao Sistema Interligado Nacional (SIN).

Para os próximos anos, o Plano de Decenal de Expansão de Energia – PDE 2024, a capacidade instalada eólica no País deve alcançar 24 mil MW até 2024. Mas poderia ser muito maior se fossem incentivadas os pequenos geradores eólicos em empresas e residências, como já defendi em artigos e cartas ao Ministério da Energia.

(*) Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)

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