• Guia

Adriana Oliveira (*)

Ao reiniciarem as aulas voltam às perplexidades sobre o que fazer com o impasse da educação brasileira: a baixa qualidade do ensino e os desastrosos resultados do investimento público e privado.

Conversava nas férias com dois netos de 13 anos e é perturbador ouvir a lógica dos jovens questionando o bando de bobagens que escola ensina, a quantidade ridícula e abusiva de provas e testes e a mediocridade do conhecimento que se espera que esses jovens aprendam nesta idade.

Argumentos lógicos e sabedoria. Muito pouco precisava ajustar para considerar a clareza desses meninos sobre os absurdos da educação brasileira.

Me veio um cansaço enorme desta luta pela modernização da educação. Expliquei o que o velho Lauro (seu bisavô) pensava sobre tudo isso. Contei-lhes o quanto revolucionário fora seu bisavô. Foi aí que ouvi de Pedro o que jamais imaginei que um menino pudesse entender. Ele disse que de nada adiantava porque os pais continuariam a escolhendo as horrorosas escolas para os seus filhos.

Olho as equipes que definem os currículos mínimos, que avaliam os materiais didáticos e os que os fazem e fico perplexa em constatar as dificuldades de mudar estas estruturas arcaicas da educação.

Empilhem os livros didáticos que se pretende que os jovens aprendam e será percebido a impossibilidade deste objetivo. Os pais compram montanha de livros e sabem que não são usados ano após ano. Alguém já viu um livro didático sendo usado pelos alunos em sala de aula?

O Brasil é um amontoado de mentiras e dramatização. A escola diz que faz (e é bem sucedida em estatísticas irrisórias), os pais fazem de conta que acreditam e investem nesta mentirada. As crianças e jovens são confinados em escolas que odeiam e então se tornam adultos e fazem exatamente a mesma coisa com seus filhos.

Desafio alguém provar a utilidade de um jovem, mal adentrando a adolescência ter que aprender inequação ou saber se uma oração é sindética ou assindética. Desafio mais, desafio os pais dizerem que sabem estes conteúdos após terem gasto mais de 10 anos nestas aprendizagens abusivas. E as operações, frações e a simples compreensão de um texto ou redação estão negligenciadas. “Quem tudo quer, nada tem”.

Vamos fazer currículos adequados aos tempos em que vivemos, ao desenvolvimento intelectual e a consolidação afetiva de nossos estudantes.

(*) Educadora e escritora

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