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Lasier Martins (*)

Há décadas a metade sul do Rio Grande do Sul vem sofrendo perdas significativas na economia. O protagonismo econômico que a região teve em momentos históricos como a Revolução Farroupilha, ficou no passado. Apesar de ocupar mais da metade do território do estado, os municípios que compõem a região representam menos de 20% do PIB gaúcho. Recentemente, alguns suspiros como os estaleiros, o Porto de Rio Grande, a produção de soja, a produção de vinho de Bagé e Santana do Livramento, e o polêmico uso do carvão mineral de Candiota geraram boas perspectivas. Mas a estagnação prevaleceu.

A situação tende a ficar ainda mais grave com a crise das finanças públicas e a escassez de recursos a serem investidos. Por isso, para enfrentar essa situação com real potencial de mudá-la, propus a criação da Região Integrada de Desenvolvimento (RIDE) da Metade Sul do Rio Grande do Sul. O Senado aprovou por unanimidade a pauta, que está agora para a Câmara dos Deputados, onde terá todo nosso empenho pela aprovação.

A RIDE, de forma simples, tem o objetivo de promover projetos que gerem uma nova dinâmica econômica de territórios de baixo desenvolvimento, como a metade sul do RS. Através das RIDEs, é possível conseguir com prioridade recursos públicos destinados à promoção de iniciativas e investimentos que reduzam as desigualdades, gerem emprego, renda, desenvolvimento social e econômico. Os recursos públicos destinados às RIDEs podem ser utilizados na saúde, segurança, educação, cultura, sistema viário, transporte, serviços públicos comuns, geração de empregos, saneamento básico, assistência social, produção agropecuária, habitação popular, combate a causas de pobreza e fatores de marginalização, turismo, proteção do meio-ambiente e aproveitamento dos recursos hídricos e minerais. 

Os projetos para a busca de recursos e investimentos precisam ser pensados e propostos na lógica que tem regido o mundo e a nova economia: com compartilhamento e integração. Tudo deverá ser executado de forma harmônica e integrada. Assim, crescem e se desenvolvem os 106 municípios que fazem parte da RIDE gaúcha de forma consistente. O Brasil possui, atualmente, três RIDEs: Distrito Federal, Petrolina-Juazeiro (PE/BA) e na Grande Teresina (PI).

Espero que a RIDE do Rio Grande do Sul seja um marco na mudança de rumo da metade sul do estado e que seja o recomeço de prosperidade permanente nos pampas. Temos que combater o grande êxodo populacional que ainda existe na região. Não são os jovens que devem deixar seus municípios em busca de crescimento, mas o contrário. São os municípios que precisam ser fortes e oferecer aos jovens perspectivas desafiadoras para que eles permaneçam nas cidades. Potencial existe, não resta dúvida. A região abriga grandes universidades e tem, portanto, núcleo produtivo de conhecimento; foi palco de fatos de extrema relevância histórica e econômica; mostrou que pode ter produção agrícola competitivo. Mas é preciso conciliar as potencialidades municipais e fazer com que tudo seja organizado com sinergia e compartilhamento. Neste cenário a RIDE poderá fazer a diferença no presente e no futuro dos pampas.

(*) Senador PODEMOS/RS

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