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Opinião: Como ficará o agronegócio neste novo governo Dilma?

*Por José Luiz Tejon Megido

As perspectivas são sombrias. E, por isso mesmo, carentes de alertas. O agronegócio em 2014 teve um superávit na balança de pagamentos do Brasil de US$ 80.13 bilhões. Enquanto o déficit da balança brasileiro foi de US$ 3.93 bilhões – o pior desde o ano 2000. E o que temos pela frente? Na safra 2014/2015 ainda uma perspectiva de manutenção das receitas obtidas no ano passado, mas, ao plantarmos a safra 2015/2016, poderemos estar imersos num custo consideravelmente maior de produção, com preços, na melhor das hipóteses, estabilizados nos patamares atuais. A tecnologia vai sofrer, a produtividade cair, e ainda rezando para São Pedro comparecer e salvar a lavoura com regime de chuvas.

O que salvou o ano das safras 2013/2014/2015 foi a soja que mesmo com preços menores foi equilibrada por uma oferta maior. E as carnes fundamentalmente frango e carne bovina em 2014. O caos foi no setor de açúcar e álcool, com um faturamento em 2014, menor em 24% comparado ao ano anterior.

Agora vamos imaginar se tudo o que está desenhado na economia, com inflação crescente, dólar valorizado perante o real – pode parecer bom para vender a safra de exportação, mas terrível para construir o próximo custo de produção; o nosso cliente chinês, mantendo as posições atuais, sem perspectivas de crescimentos extraordinários, um preço do petróleo apertando nossos principais clientes do Oriente Médio, e a própria Rússia; além de uma perspectiva de maior oferta de commodities agrícolas, pelos concorrentes globais, e da eficácia competitiva maior de muitos deles – vamos amargar uma potencial crise no agronegócio brasileiro, fundamentalmente para o ciclo 2015/2016. E ainda contando com uma improvável competência de liderança do governo e da governança de todo o entorno do agronegócio nacional.

De 2009 a 2014, o custo da agropecuária brasileira cresceu em media 74% - no lado dos fatores de produção. Do lado de fora das porteiras das fazendas, o custo lavoura-porto em 2003 era na média US$ 20; em 2014: US$ 90 por tonelada, comparáveis a US$ 23 dos Estados Unidos e US$ 20 da Argentina.

Os produtores brasileiros que tenho conversado no país inteiro, estão como sempre plantando, trabalhando, mas muito apreensivos, de olho no próximo ano agrícola. Este governo vive hoje totalmente agrodependente, e a confiança com investimento, não podem ser palavras e práticas generalizáveis para o futuro próximo, do lado dos campos brasileiros.

Hora de apertar os cintos no agronegócio e rezar para que a gestão econômica, política e estratégica do Brasil (de volta Mangabeira Unger!), possam ter boas sementes de sensatez.

*Conselheiro Fiscal do Conselho Científico para Agricultura Sustentável (CCAS), Dirige o Núcleo de Agronegócio da ESPM, Comentarista da Rede Estadão.

Opinião: O desafio de produzir de forma sustentável

* Franklin Mendes Thame

Até 2050, a população mundial deve crescer mais de 30% ou seja, haverá mais de 2,3 bilhões de pessoas. Até 2030, a população irá exigir 50% mais alimentos, 45% mais energia e 30 % mais água.
O agronegócio brasileiro há anos e de forma constante vem atingindo ganhos enormes de produtividade, sendo a inovação tecnológica a grande responsável.

Conforme estudo da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a produtividade agrícola brasileira cresceu aproximadamente 150% nas últimas três décadas, e hoje o Brasil se transformou em um dos três maiores produtores e exportadores de produtos agropecuários do mundo.

O país mostrou que pode produzir mais e melhor, com significativo aumento em produtividade, sem expandir o uso de terras. Nos últimos 20 anos, a área plantada de grãos cresceu 41% e a produção aumentou 223%. O Brasil tem condições de ter as maiores plataformas de exportações de commodities agrícolas e de produtos agroindustriais.

A questão que se coloca para a agricultura brasileira é produzir de forma sustentável. A inclusão da questão da sustentabilidade no agronegócio passa a ser parte integrante de seus processos produtivos. O desafio é conciliar a produção de alimentos saudáveis com alta produtividade, viabilidade econômica, conservação ambiental e responsabilidade social. A adoção do conceito de sustentabilidade deve perpassar toda a complexa cadeia produtiva, que começa com os insumos necessários para o cultivo agrícola, se estende à produção propriamente dita, à comercialização e à disposição final dos produtos envolvidos nesse processo.

Háuma nova obrigatoriedade planetária: a descarbonização dos processos produtivos, o que induz as empresas a comportamentos ambientais responsáveis. Há, também os problemas emergenciais em relação à escassez de água e à perda da biodiversidade.

A sociedade conta com três vertentes para enfrentar os problemas socioambientais: legislação mandatória; investimentos públicos e privados; e conscientização quanto aos problemas ambientais e sociais.

Quanto a primeira vertente, a legislação, as normativas internas das empresas devem refletir a legislação social e ambiental. Dessa forma condiciona-se que a produção fique atrelada à moralidade e à legalidade.
Quanto a segunda vertente, as empresas com seus investimentos alavancam as atividades econômicas e podem, assim, fomentar as boas práticas socioambientais; desenvolver serviços e produtos sustentáveis; implementar novas tecnologias e incentivar a substituição de práticas causadoras de impactos socioambientais negativos por novas maneiras de produzir respeitando o meio ambiente e a dignidade humana.

Quanto a terceira vertente, conscientização sobre os problemas socioambientais, ela não pode ficar adstrita a um departamento isolado. Precisa iniciar-se na alta administração das empresas, perpassar todos os níveis hierárquicos, permear todas as ações e se espraiar para os seus fornecedores

As atitudes das empresas se multiplicam e passam a influenciar toda a sociedade. Cabe ressaltar a importância da nova Resolução 4327, de 25/04/2014, do Banco Central do Brasil, para os tomadores de crédito. Essa Resolução estabelece para as instituições financeiras princípios e diretrizes na análise socioambiental quando da concessão de crédito. Dessa forma, a percepção de que o risco socioambiental pode comprometer a viabilidade de um negócio faz com que sejam incorporados na análise de crédito os elementos financeiros, sociais e ambientais de forma integrada.

As instituições financeiras precisam analisar o cumprimento da legislação fiscal e socioambiental pelos clientes. Deve também conhecer o nível da gestão social e ambiental ante os aspectos e impactos socioambientais que os negócios desses mesmos clientes estão sujeitos.

Quando da concessão do crédito rural, as instituições financeiras passam a observar o atendimento às exigências determinadas pelas legislações ambientais, notadamente quanto à obrigatoriedade de licenciamentos ambientais e as exigências do Código Florestal Brasileiro quanto ao zoneamento agroecológico; áreas de preservação permanente (APP), áreas de reservas legais (RL) e a regularidade fundiária das propriedades rurais.

Para os financiamentos rurais no bioma amazônico, considera-se o que estabelece a Resolução 3.545 (28/02/2008), também do Banco Central do Brasil, quanto à exigência de documentação comprobatória de regularidade ambiental. Os produtores rurais devem apresentar: CCIR (Certificado de Cadastro de Imóvel Rural); cópia atualizada da matrícula do imóvel rural; certidões de regularidade ou negativas junto ao INSS e FGTS; as certidões sobre inexistência de disputas judiciais sobre a propriedade e posse; georreferenciamento da propriedade rural; certidão atualizada de quitação do ITR (Imposto Territorial Rural); e CNDT (Certidão Negativa de Débitos Trabalhistas).
Quanto à regularidade social, cabe às instituições financeiras analisar se os proprietários rurais estão incluídos na lista do Ministério do Trabalho e Emprego.

As instituições financeiras passam a incluir em suas análises de crédito o que determinam os decretos atinentes à matéria: decreto 6.321/07, que dispõe sobre ações relativas ao controle de desmatamentos no bioma amazônico e outros biomas da Amazônia Legal; decreto 7.830, que dispõe sobre o Sistema de Cadastro Ambiental Rural (Sicar), sobre o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e sobre o Programa de Regularização Ambiental (PRA). O Cadastro Ambiental Rural, registro eletrônico de abrangência nacional junto ao órgão ambiental competente, é obrigatório para todos os imóveis rurais.

O Cadastro Ambiental Rural deverá contemplar os dados do proprietário, possuidor rural ou responsável direto pelo imóvel rural e a respectiva planta georreferenciada do perímetro do imóvel.
Caberá ao órgão ambiental competente convocar o proprietário ou possuidor do imóvel rural para assinar o termo de compromisso e, enquanto este estiver cumprido o termo de compromisso, não poderá ser autuado por infrações cometidas antes de 22 de julho de 2008, relativas à supressão irregular de vegetação em áreas de preservação permanente, Reserva Legal e de uso restrito.

Importante mencionar que, após cinco anos da data da publicação da lei, 12.651, de 25/05/2012, as instituições financeiras só concederão crédito agrícola, em qualquer de suas modalidades, para proprietários de imóveis rurais que estejam inscritos no CAR.

A Serasa Experian, ao disponibilizar os produtos que analisam as empresas, quais sejam, o Relatório de Responsabilidade Ambiental, o Relatório de Responsabilidade Social, o produto Conformidade Ambiental e as análises de certidões sociais e fiscais em conjunto com os tradicionais Relatórios Econômico- financeiros, leva a sustentabilidade a sua estratégia de negócios e, dessa forma, oferece sua contribuição para que o setor produtivo brasileiro avance no rumo de um negócio sustentável.

(*) Gerente de Produtos na Serasa Experian, engenheiro agrônomo e administrador de empresas com especialização em 'Agronegócios', 'Desenvolvimento de Produtos Financeiros' e em 'Sustentabilidade'

Opinião: Desenvolvimento agrícola ainda o caminho mais curto

Ciro Antonio Rosolem (*)

O índice Gini que mede a desigualdade de renda está estagnado no Brasil nos últimos três anos. Este é dos grandes problemas brasileiros. Apesar do que alardeia o governo, os programas de transferência de renda não tem mais sido suficientes para melhorar a desigualdade no País. Segundo especialistas, a desigualdade não diminui porque faltam empregos. Emprego significa renda, significa diminuição na desigualdade. Assim, é urgente a criação de oportunidades de trabalho. De há muito se sabe que a agropecuária é a atividade econômica que mais gera emprego por unidade de capital investido. Por exemplo, gera, para o mesmo investimento, quase o dobro dos empregos que a construção civil. Não é pouco.

Quando se fala de desenvolvimento social e humano, junto com o índice de Gini, é interessante olhar para o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), que leva em conta a renda, educação e saúde. Comparando-se o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da FAO de 1990 com 2010 em algumas regiões brasileiras pode-se ter uma ideia de como o desenvolvimento agropecuário melhora a vida das pessoas. Nos estados com agricultura mais tradicional como São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul, o IDH passou, em média, de 0,542 para 0,759, com um crescimento de 40,3 % nos últimos 20 anos.

Em estados que sofreram uma segunda onda de crescimento agropecuário, como Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso do Sul, o IDH passou, em média, de 0,484 para 0,732, com crescimento de 51,1% no período. Já nos estados de desenvolvimento agropecuário mais recente, nos últimos 20 anos, o IDH passou de 0,448 para 0,725, com crescimento de 69,1%. Enquanto isso o Brasil teve o IDH crescendo 46,9%, de 0,490 para 0,720. Considerando-se 38 municípios com grande influência agrícola no Brasil, 15 deles tinham IDH muito baixo em 1990, e não havia municípios agrícolas com IDH alto ou muito alto. Em 2010 não havia mais, entre estes municípios, IDH muito baixo, 29 deles tinham IDH alto e três mostravam IDH muito alto. Fica assim patente o grande impacto do desenvolvimento agropecuário na sociedade como um todo.

E o que se espera para o futuro próximo? A posição dos economistas é praticamente unânime: dificuldades, pouco dinheiro e pouco crescimento. No mundo todo e, particularmente, no Brasil. Como driblar essas dificuldades? Com geração de emprego e renda.

A agricultura brasileira só não é mais competitiva por razões sobejamente conhecidas: infraestrutura, logística, restrições ambientais, política tributária, política trabalhista, seguro rural e insegurança jurídica estão entre as principais.

A retirada de alguns destes obstáculos fará com que, mesmo com preços internacionais menores, nossa agricultura continue como protagonista do desenvolvimento brasileiro.
Senhores, o caminho para fora do buraco é conhecido. Quem se habilita?

(*) Membro do Conselho Científico para Agricultura Sustentável (CCAS) e professor titular da Faculdade de Ciências Agrícolas da Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (FCA/Unesp Botucatu)

Professor: um multiplicador de sonhos

Eduardo Shinyashiki (*)

Como educador, sei que muitos são os questionamentos sobre quais são as possibilidades de desenvolver nos alunos as dimensões fundamentais do indivíduo e do cidadão, no contexto familiar, escolar e social.
Envolver os alunos parece cada vez mais difícil. Inúmeras propostas pedagógicas alimentam diversas discussões e metodologias de ensino não tradicionais ganham novos adeptos e plataformas pedagógicas, mas, em meio a tantos questionamentos, surge uma convergência: a importância da figura do professor.

A escola ainda é o primeiro lugar que frequentamos sozinhos, sem os nossos pais. É lá que começamos a desenvolver a consciência acerca das nossas escolhas, poder pessoal e capacidade de discernimento. Ela é a ponte que liga a infância ao início da vida adulta. Juntamente com os pais, os professores são quem auxiliam as crianças amadurecerem e a cumprirem tal travessia de forma saudável e construtiva.

É o professor a peça chave para a formação crítica e social do aluno. Ele é um dos principais líderes da vida da criança e influencia diretamente em seu desenvolvimento e no fortalecimento da sua autoestima e autorrealização.
O professor nutre com conhecimento, alimenta suas ideias, estimula a criatividade e a comunicação, valoriza seus questionamentos e, por meio disso, conquista a confiança e o respeito do aluno.

Os grandes educadores, comprometidos com a valorização da vida e do viver, que se permitem ensinar e transmitir o amor, a cidadania, a ética e valores para o futuro profissional e pessoal de seus alunos, nos marcam de forma positiva. São lembrados para sempre e promovem transformações permanentes e benéficas na vida de seus aprendizes. São eles que influenciam tantas escolhas, e são, com toda a certeza, verdadeiros multiplicadores de sonhos.

A educação, em todos os seus sentidos, forma e transforma vidas e o professor tem a importante e árdua tarefa de orientar os jovens, de guiá-los e ajudá-los a realizar projetos com serenidade e satisfação, transformar seus sonhos em realidade.

(*) Palestrante, escritor, consultor organizacional e especialista em 'Comportamento Humano', 'Comunicação Não Verbal' e 'Desenvolvimento das Competências de Liderança Aplicada a Administração e Educação'

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