Reforço escolar, segurança e infraestrutura são principais necessidades da educação, aponta pesquisa da ALRS/IPO

 

Encomendado pela Assembleia Legislativa,

levantamento ouviu 1.500 pessoas em oito regiões do RS

Foi apresentado na tarde desta segunda-feira (12) o resultado da pesquisa sobre os impactos da pandemia no aprendizado de crianças e adolescentes do estado. Promovido pela Assembleia Legislativa, o estudo executado pelo Instituto de Pesquisas de Opinião (IPO) ouviu os gaúchos para entender as suas percepções sobre a educação no contexto da Covid-19.

 

Os principais apontamentos são sobre a necessidade de políticas públicas que assegurem o reforço escolar, promovam a segurança sanitária e investimentos para a aquisição de equipamentos e estrutura tecnológica para as aulas em formato híbrido. Participaram do evento presencial o presidente do Legislativo, deputado Gabriel Souza (MDB), a cientista social e política, diretora do IPO, Elis Radmann, os deputados Carlos Búrigo e Beto Fantinel, presidente e vice-presidente da Comissão de Educação, respectivamente. De forma virtual, acompanharam a secretária estadual de Educação, Raquel Teixeira, a deputada Zilá Breitenbach (PSDB) e jornalistas.

 

Conforme o presidente Gabriel, os dados coletados servirão como base para a elaboração de proposições legislativas que contemplem o cenário atual. “São referências importantes da nossa sociedade, pais e mães, professores e cidadãos de um modo geral, que também sofrem com os efeitos da pandemia e têm contribuições significativas”, declarou o parlamentar.

 

A partir dos três pontos principais obtidos no estudo, Gabriel destaca a criação de projetos de lei que viabilizem programas de recuperação do conteúdo para mitigar a baixa aprendizagem gerada pelo ensino remoto, sobretudo no ano passado; estipulação de protocolos sanitários, incluindo a aquisição de EPIs e outras iniciativas para que seja possível manter as aulas no formato presencial; e a compra de ferramentas tecnológicas para garantir a qualidade das aulas em formato híbrido.

 

Projeto incentiva qualificação das estruturas das escolas

A partir do diagnóstico apresentado pela Assembleia Legislativa, o deputado Carlos Búrigo, anunciou que apresentará na reunião da Comissão de Educação desta terça-feira (13) o projeto de lei que cria o “Programa de Incentivo à Qualificação da Infraestrutura Física e Tecnológica da Rede Estadual de Ensino”. Seguindo a metodologia do Programa de Incentivo ao Acesso Asfáltico (PIAA/RS), a proposta prevê que empresas possam destinar uma parte do ICMS devido para a qualificação da infraestrutura física e tecnológica das escolas estaduais.

Sobre o estudo

 

O levantamento integra as ações da Presidência da ALRS com o projeto “O RS PÓS-PANDEMIA”. A primeira fase consistiu em um debate que reuniu especialistas em educação em maio. Já a segunda etapa compreendeu a aplicação e divulgação da pesquisa sobre as tendências apontadas pelos educadores e, por fim, será feita a entrega de um pacote de ações legislativas. O ciclo de debates promoveu também discussões sobre economia e saúde. O próximo tema será desigualdade social, agendado para agosto.

 

Clique no link e confira o estudo na íntegra: 

https://drive.google.com/file/d/1RDAOwZID0H_5VU7hinTa2yhOB3WnvU55/view?usp=sharing

Um novo olhar sobre a psiquiatria

A consulta com o médico psiquiatra foi, por muito tempo, encarada como motivo de receio, e mesmo vergonha, por parte de pacientes e familiares. O estigma para com aqueles que venciam esse preconceito e procuravam seu atendimento era tanto que o paciente, muitas vezes, fazia o que estivesse ao seu alcance para não ser “descoberto” consultando. O psiquiatra era procurado apenas em casos mais extremos, quando a sanidade mental do doente já estava por demais comprometida. No desespero, doentes e familiares eram quase que forçados pelas circunstâncias a ignorar os olhares maliciosos das outras pessoas. “Entendo que esse preconceito se devia, ao menos em parte, às ideias que povoavam o imaginário geral, as quais remetiam a cenários de doentes mentais graves enclausurados em antigos manicômios sombrios, como o de Barbacena - fechado já há décadas. Ocorre é que aquilo não era psiquiatria”, opina o Dr. José Francisco Rangel, médico psiquiatra atendendo atualmente em nosso município. 

As coisas mudaram. Embora ainda exista algum preconceito, é inegável que a impressão da sociedade sobre o acompanhamento psiquiátrico mudou - para melhor. Atualmente, há o correto entendimento de que não há motivos para se ter vergonha da doença mental. Além do mais, havia, naquele passado, uma gama enorme de pessoas que não eram portadoras de transtornos graves, mas que tinham algum sofrimento psíquico, ou que simplesmente queriam compreender-se melhor, porém se mantinham longe da avaliação psiquiátrica devido ao preconceito. “A psiquiatria não se destina a ajudar apenas os doentes mentais mais graves, os psicóticos (sofredores da ‘loucura’, como se dizia muito); ela existe também para ajudar as pessoas em geral: que estão ativas, trabalhando, cuidando de suas famílias, convivendo socialmente, sobrecarregadas com questões diversas do âmbito pessoal, familiar, social, profissional ou mesmo existencial”. Em suma: pessoas comuns, talvez como você e eu, que podem estar necessitando de um auxílio ou de uma avaliação psiquiátrica para simplesmente viverem melhor suas vidas. A psiquiatria existe também para ajudar esses indivíduos. 

A parcela atual da população que poderia ser ajudada por um médico psiquiatra segue tão grande quanto antigamente, ou maior. “O tipo de vida que escolhemos na modernidade contribuiu, depois de algumas poucas gerações, para o surgimento de uma época aparentemente com mais angústia, mais ansiedade, mais frustrações, mais revolta, mais perda de sentido; evidentemente que tal estado de coisas é favorável ao desencadeamento de conflitos interiores, neuroses ou mesmo transtornos mentais de leves a graves; e realmente, é com essas realidades que nos deparamos muito frequentemente em nosso dia a dia”, afirma. Por outro lado, hoje em dia as pessoas estão buscando a avaliação psiquiátrica com mais naturalidade, e isso é positivo, pois é sinal de que houve a desmistificação de um instrumento bastante útil para o homem atual. 

Em torno de um quinto da população sofre de ao menos um episódio de depressão ao longo da vida, o qual, no passado, não era diagnosticado e gerava, como hoje, um prejuízo significativo na qualidade de vida. “O diagnóstico de depressão, ou Transtorno Depressivo Maior, na linguagem mais precisa, em geral é relativamente simples de ser feito. E é curioso como antigamente se resistia a procurar o auxílio psiquiátrico, pois o psiquiatra já estava lá para ajudar. Ainda bem que essa resistência tem diminuído bastante, mesmo porque o arsenal de tratamento é formidável; ainda que a psiquiatria evolua numa velocidade menor do que o restante da Medicina, as opções de tratamentos que temos hoje disponíveis é incomparavelmente maior do que no passado”.

Outros transtornos comuns são os de ansiedade. “Os transtornos ansiosos muitas vezes trazem muito impacto para a vida do ser humano. Embora não esteja entre as psicopatologias mais graves, o fato é que geram um prejuízo significativo no funcionamento do indivíduo, deixando a vida cotidiana mais pesada, instável e desprazerosa”. Além dos dois exemplos aqui citados, há outros inúmeros casos que provavelmente estão neste momento afetando parte significativa da nossa sociedade, mas que são menosprezados como problemas de pouca importância. “É o caso da insônia, que atinge uma parcela importante da população e que acarreta prejuízo no rendimento das relações pessoais, familiares ou sociais ao longo do dia; ou das neuroses existenciais, que não são casos propriamente de depressão, mas que fazem a pessoa acreditar que não há um sentido para a sua vida”. 

Essas são algumas das diversas situações possíveis de se apresentar, de leves a graves, e que podem e devem motivar o ser humano a buscar uma avaliação psiquiátrica. “São situações bastante comuns porque são tipicamente humanas. É curioso que as pessoas possam sentir vergonha por estarem passando por algo que as distingue dos demais seres. Afinal, nós podemos nos deprimir, ficarmos ansiosos demais, frustrados ou termos qualquer transtorno mental, justamente porque somos seres humanos, e temos um tipo de sede diferente dos demais seres quando algo está nos incomodando um pouco mais profundamente”, finaliza Rangel.

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CUIDADOS PÓS-COVID 19: Atenção ao seu coração

Não basta apenas estar recuperado do coronavírus, mas sim confirmar que a infecção não deixou sequelas no organismo.

A pandemia tem deixado sequelas não somente na saúde, mas também na economia, nos relacionamentos, na educação, sendo um desafio em todos os âmbitos.

Ainda existe muito o que aprender sobre o novo coronavírus, mas evidências já conseguem apontar riscos cardíacos após a infecção.

Indivíduos que não apresentavam problemas cardíacos ou até mesmo fatores de risco para eventos cardiovasculares podem desenvolver alterações cardíacas. Por isso, o recomendado é que todos pacientes acometidos por covid-19 sejam acompanhados por cardiologista para uma possível reabilitação.

Diversas pesquisas e estudo estão em andamento para elucidar melhor esse assunto, mas o que sabemos até o momento é que o coronavírus pode atacar diretamente o miocárdio (músculo cardíaco), causando uma inflamação, conhecida como miocardite. O miocárdio é responsável pelo bombeamento do sangue para o restante do corpo, estando inflamado, poderá ocorrer diminuição do aporte sanguíneo, substrato para arritmias e insuficiência cardíaca.

Outro problema relacionado a exacerbada resposta inflamatória devido a infecção é a disfunção no endotelio dos vasos sanguíneos, aumentando a resposta pró- coagulante, o que associado a menor oferta de oxigênio, contribui para formação de trombos nas artérias, aumentando o risco de trombose e infarto.

Com isso, devemos saber que receber alta médica após ter covid-19 não significa necessariamente estar totalmente recuperado. Existe risco de sequelas em todos os órgãos, e todo sintoma (cansaço, palpitação, falta de ar, dor muscular, dor no peito, dor de cabeça) deve ser avaliado.

Por isso, pra quem teve covid-19, é extremamente necessário ficar atento aos sinais que o corpo emite e manter uma rotina saudável. Além disso, manter a positividade também faz parte da recuperação. Portanto, devemos seguir com fé e esperança, acreditando em dias melhores.

Em caso de dúvidas, não pense duas vezes em procurar orientações do seu médico.

A importância de controlar os fatores de risco

A idade avançada, o diabetes e a obesidade são capazes de tornar a infecção pelo covid-19 mais grave.

A idade é o fator de risco que tem maior peso. Já a obesidade tem o risco agravado de acordo com o Índice de Massa Corporal (IMC).

Obesidade grau 1 (IMC entre 30 a 34.9kg/m2) apresenta um risco 1,4 vezes maior.

Obesidade grau 2 (IMC entre 35- 39,9kg/m2) apresenta um risco 1.8 vezes maior.

Já a obesidade mórbida (IMC acima de 40kg/m2) empata com o fator idade, já que o risco passa a ser 2.6 vezes maior.

Quanto ao diabetes, se a doença está compensada, o risco é 1,5 vezes maior, porém quando a doença não está compensada, esse risco torna-se 2 vezes mais alto.

Ao adotar um estilo de vida saudável, você estará prevenindo a Obesidade e o Diabetes. Porém, se você já tem essas comorbidades, ao adotar um estilo de vida saudável você irá compensar essas doenças, diminuindo não apenas o risco de desenvolver formas graves da covid-19, mas também o risco de desenvolver Infarto agudo do miocárdio ou Acidente vascular cerebral.

Sempre vale a pena ser saudável, nunca é tarde!

Fonte: artigo ‘Factors associated with covid-19-related death using OpenSAFELY’ (08/07/2020)

LuanaAndrade

A importância da consultoria em amamentação ainda no pré-natal

A Organização Mundial da Saúde preconiza o aleitamento materno exclusivamente até os seis meses de vida e após a introdução da alimentação complementar até os dois anos de idade ou mais.

Entre os benefícios do aleitamento materno para a criança estão: redução da taxa de mortalidade infantil até os 5 anos de vida, evita diarreia, infecções respiratórias, diabetes, colesterol alto e hipertensão, leva a uma melhor nutrição e reduz as chances de desenvolver obesidade. Além disso, contribui para o desenvolvimento da cavidade bucal do bebê e também promove o vínculo entre mãe e bebê.

Para a mãe, já se sabe que mulheres que amamentam até os seis meses ou mais reduz os índices de câncer de mama e auxilia na recuperação do útero no pós-parto, prevenindo hemorragias e anemia no puerpério.

Mesmo com todos os benefícios da amamentação, sabe-se que o índice de aleitamento materno no Brasil é muito pequeno, pois são apenas 45% das mulheres tiveram seus bebês que conseguem levar adiante a amamentação.

Diante desta realidade, sabemos que amamentar não é um ato instintivo, mas sim a ser aprendido com conhecimento, informação de qualidade e técnica. Por isso, o trabalho da consultora em amamentação se faz necessário, pois é a profissional que conhece as últimas evidências sobre os benefícios e manejo do aleitamento materno, conduzindo as mães e suas famílias no processo da amamentação, auxiliando-os para que tomem as decisões que desejam após muita informação de qualidade.

A consultoria em amamentação quando iniciada ainda no pré-natal, é muito eficaz, pois a avaliação da profissional permite identificar os principais riscos para o aleitamento materno e intervir educativamente, no intuito de prevenir as principais dificuldades encontradas pelas mães no início da amamentação.

Além da consultoria em amamentação na gestação, é possível acompanhar o processo de aleitamento materno no pós-parto tanto preventivamente quanto no manejo das principais dificuldades encontradas pelas mães: feridas nos mamilos, dor na amamentação, dificuldades na pega, mastite, candidíase mamilar, ingurgitamento mamário.

É possível ainda a consultoria em amamentação no retorno ao trabalho para que as mães que vão retornar às suas atividades profissionais possam continuar a amamentação e tenham informações importantes sobre a ordenha, armazenamento, congelamento do leite materno, como oferecer o leite pelo cuidador de forma que não atrapalhe a amamentação e treinamento da rede de apoio.

Já quando a mãe decide que é o momento de findar seu período de amamentação, é possível fazer a consultoria para guiar a mãe, num processo gentil e gradual de desmame.

Laserterapia na amamentação: para que serve e quais são os benefícios?

A laserterapia é um processo terapêutico que utiliza o laser de baixa intensidade para o tratamento das feridas mamilares que podem acontecer no início da amamentação e costumam causar muita dor e desconforto nos seios, podendo muitas vezes causar um grande desgaste físico e emocional nas mães por não conseguirem levarem a diante a amamentação devido à dor intensa.

Entre os benefícios destacam-se a redução da dor, inchaço, melhora na cicatrização, ação anti-inflamatória, bactericida, melhora do ingurgitamento mamário e melhora na resposta imunológica.

O laser promove analgesia e conforto para que as mães possam continuar a amamentação devido à rápida resposta do processo de cicatrização. Porém, é importante o trabalho da consultora em amamentação para que sejam identificadas as causas das lesões mamilares e sejam feitos os ajustes necessários, como por exemplo, correção da pega e postura da amamentação.

Como é feito o tratamento?

A aplicação do laser é rápida e indolor, o procedimento não é invasivo e não possui efeitos colaterais, dura apenas alguns minutos e pode ser realizado na casa da paciente ou em consultório. O efeito analgésico é imediato!

A laserterapia pode ser realizada diariamente ou de acordo com a necessidade até a remissão dos sintomas. “Laserterapia é um alento às mães que amamentam e estão passando por dificuldades como fissuras mamilares, pois promove conforto e redução da dor tão logo o laser é aplicado. Os resultados são muito bons e têm ajudado inúmeras mães no pós-parto, evitando o desmame precoce”, enfatiza a enfermeira mestre em Saúde Materno-Infantil, Carla Zimmermann.

CarlaZimmermann

 

Coronavírus e os impactos no paciente pediátrico

 

Desde quando foi declarada a pandemia em março de 2020, com o conhecimento do novo Coronavírus, iniciou o confinamento social, restrições rígidas ao contato interpessoal, alterações inesperadas na rotina familiar, e o aumento, das queixas comportamentais, cognitivas e psíquicas nos consultórios pediátricos.

O afastamento dos entes queridos, a perda da liberdade de ir e vir, as incertezas e o medo de contrair a doença geralmente trazem consequências emocionais, tais como alterações do humor e ansiedade. A falta de contato com outras crianças, na escola ou em ambientes de convivência, atrasa ou altera o desenvolvimento. A interação comunicativa advinda do convívio com outras crianças promove o aumento do repertório linguístico e social, mas o confinamento interrompeu tais interações.

No atual cenário de isolamento social prolongado, temos nos deparado com crianças que estão privadas dessa rotina desejável de convivência, ao mesmo tempo, destinadas a passarem horas diante de telas (televisão, celular, tablet, vídeo game, ...) que lhes roubam um precioso tempo de aprendizagem e interação, com ausência de reciprocidade social e afeto.

Na pandemia, tem-se usado o termo homeschooling, para descrever a educação à distância, quando os pais ou responsáveis precisam assumir o papel de professores com o apoio virtual das instituições de ensino. A educação à distância tornou-se a única opção para este tempo de isolamento social, trazendo consigo desafios enormes para os alunos e seus responsáveis. Isso gera preocupações além das questões do aprendizado formal, pois as evidências mostram que, quando estão fora da escola, as crianças praticam menos atividades físicas, usam telas por longas horas, têm hábitos de sono irregulares e seguem dietas menos adequadas, aumentando risco de obesidade infantil.

Dicas para ajudar as crianças no período de isolamento:

• Montar um cronograma de horários e, na medida do possível, estabelecer uma rotina semelhante à que eles tinham quando iam à escola;

• Manter a comunicação com amigos, colegas e professores por meios virtuais;

• Explorar a criatividade das crianças e ajudando-as a descobrir novas atividades;

• Estimular brincadeiras e exercícios físicos.

Riscos e benefícios do retorno à escola

Não existe consenso sobre quais seriam os riscos reais da convivência escolar diária para alunos, professores e suas famílias no que diz respeito ao retorno das escolas durante a pandemia por Covid 19. O risco da paralisação das atividades escolares para crianças e adolescentes, especialmente por tempo prolongado, é o de afetar de forma permanente seu desenvolvimento biopsicossocial, além das perdas no processo formal de aprendizagem.

Enfim, estamos enfrentando um problema inédito de proporções globais, e a escassez de estudos epidemiológicos nesse momento complica a tomada de decisões. Mas, devemos instituir todas as medidas possíveis para minimizar a propagação continuada do novo coronavírus entre as crianças e seus familiares e responsáveis após a reabertura de creches e escolas. No atual contexto de aumento no número de casos, superlotação de hospitais não há dúvida que ainda não é o momento de retorno as aulas presenciais.

Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria

NataliaTeixeira

 

Diagnóstico laboratorial da covid-19 e da exposição ao SARS-CoV-2

O rápido avanço da pandemia causada pelo novo coronavírus vem colocando em risco grande parte da população mundial. Devido ao alto poder de contágio do vírus e à gravidade da apresentação clínica em parcela significativa dos pacientes infectados, a doença também tem causado enorme pressão sobre os sistemas de saúde e sobre os profissionais que atuam na linha de frente de atendimento. Por ser uma doença com muitos detalhes da fisiopatologia ainda sendo caracterizados, dúvidas e atualizações nos protocolos de diagnóstico, conduta e tratamento tem sido uma constante.

Manifestações clínicas

Apesar do quadro clínico de covid-19 em geral apresentar algumas características típicas sugestivas da doença, estas não são específicas podendo ocorrer apresentações similares em diversas outras condições inflamatórias e infecciosas. Por este motivo, o diagnóstico laboratorial é uma importante ferramenta na investigação de cada caso.

Diagnóstico laboratorial

Os principais métodos e técnicas disponíveis atualmente para realização dos exames específicos podem ser classificados em dois grupos:

  • Diretos: detecção do vírus através do SWAB (RT-PCR e os testes para detecção de antígeno viral).
  • Indiretos: detecção da resposta imunológica ao vírus através da sorologia (pesquisas de anticorpos IgM/IgG e de anticorpos neutralizantes).

Os exames laboratoriais específicos apresentam três tipos principais de aplicações, que estão relacionadas ao estágio da infecção em que o paciente se encontra:

1- Detecção precoce da exposição ao vírus antes do aparecimento dos sintomas;

2- Diagnóstico do quadro agudo e monitoramento da evolução clínica;

3- Rastreamento da exposição ao SARS-CoV-2.

1 - Detecção precoce de novos casos

Exame indicado: SWAB (RT-PCR ou Antígeno).

A detecção precoce tem como principal objetivo identificar pacientes infectados, antes do aparecimento dos sintomas, permitindo assim instituir isolamento e evitar a transmissão para outras pessoas.

2 - Diagnóstico do quadro agudo

Exame indicado: SWAB (RT-PCR ou Antígeno).

Para os pacientes apresentando quadro agudo com suspeita de COVID-19, o padrão ouro para confirmação laboratorial indicado é o SWAB (RT-PCR ou Antígeno). É importante ressaltar que o SWAB também pode estar sujeito a resultados falso negativos nas coletas realizadas em fase muito precoce ou muito tardia da infecção. O SWAB também pode ser utilizado para o monitoramento da evolução do quadro clínico, visto que um resultado negativo em paciente com resolução dos sintomas indica ausência de replicação viral e a possibilidade de encerramento do isolamento por não oferecer mais risco de contágio.

3 - Rastreio da exposição ao SARS-CoV-2

Exame indicado: Sorologia IgG/IgM e Pesquisa de Anticorpos Neutralizantes

O rastreio da exposição prévia ao SARS-CoV-2 em indivíduos que não apresentaram nenhuma sintomatologia típica, ou naqueles que apresentaram sintomas, mas não realizaram a confirmação diagnóstica laboratorial no momento do quadro agudo, tem aplicação para a avaliação epidemiológica populacional da exposição, e para avaliação do status imune individual. Acredita-se que a presença dos anticorpos de memória possa promover proteção evitando a reinfecção ou recidiva, apesar de ainda não haver comprovação científica dessa hipótese. Por isso, foi elaborado um novo exame para avaliar a qualidade dos anticorpos IgG produzido: Pesquisa de Anticorpos Neutralizantes.

Qual a diferença entre a sorologia IgM/IgG e os anticorpos neutralizantes?

A produção de anticorpos ocorre como resposta à presença de algum agente agressor, como um vírus. Diversos componentes do vírus podem estimular a resposta imunológica, levando ao desenvolvimento de anticorpos. A simples detecção de um tipo de anticorpo não significa afirmar sua funcionalidade, ou seja, sua capacidade de neutralizar o vírus.

As sorologias inicialmente disponíveis detectam a presença de anticorpos contra diversos componentes do vírus, mas não verificam a sua capacidade de neutralização. Essa é a diferença essencial entre os testes inicialmente disponíveis e o teste de anticorpos neutralizantes.

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