A obesidade se tornou desde meados do século passado uma epidemia e neste século um desafio; 20,7% das brasileiras são obesas.

O maior aporte calórico disponível e a baixo custo associado ao sedentarismo estão na base deste grave e complexo problema de saúde pública.

As doenças associadas, tais como diabete melito e hipertensão agravam o quadro clínico e o peso a ser sustentado pelo aparelho musculoesquelético causam deformidades articulares com degeneração de seus elementos funcionais.

A obesidade tornou-se um grande desafio ao obstetra, pois tornou-se a condição patológica mais comum encontrada na mulher em período reprodutivo.

A gestação por si só impõe ao organismo materno inúmeras e complexas alterações metabólicas como maior resistência à insulina, hormonais necessária à manutenção da gestação e imunológicas que permitem a aceitação da carga genética parenteral desconhecida, através da produção de quimiocinas resultantes da resposta inflamatória local, associa-se a este mecanismo a supressão de genes que acionam os linfócitos, deixando o feto e o tecido placentário imunes à ação dos linfócitos T.

A obesidade é considerada um estado crônico inflamatório e na gestação associa-se a um risco aumentado de óbito fetal, restrição do crescimento fetal, macrossomia fetal, malformações do tubo neural, prematuridade, sofrimento fetal, aspiração de mecônio, diabete gestacional, pré-eclâmpsia e partos distócicos (‘parto difícil’).

A avaliação da futura gestante deve iniciar com consulta pré-concepção, onde entre diversas orientações a serem dadas pelo obstetra ganha destaque, nas portadoras de sobrepeso e obesas, dieta calórica restritiva e exercício físico regular com o intuito de que a futura gestante inicie a gestação com o próprio peso mais próximo do peso ideal e índice de massa corpórea (IMC) entre 18,5 e 24,9 kg/m².

Atingir um peso saudável para quem planeja engravidar é extremamente importante e em algumas vezes difícil alcançar e a mulher pode socorrer-se de equipe multidisciplinar coordenada pelo obstetra de sua escolha, onde concorrem para o total êxito, profissionais da área da psicologia, nutrição e fisioterapia, desenvolvendo programação específica e individual.

A mudança de estilo de vida e a implementação de hábitos saudáveis à mesa permite que a futura mamãe sinta-se plena e no controle de sua vida, aumentando a autoconfiança e satisfação consigo mesma.

A gestante no seu controle ambulatorial (consultas de pré-natal) deverá ter seu peso aferido e o IMC calculado; existem tabelas recentes em que o obstetra se baseia para estabelecer critério de ganho ponderal ideal durante a gestação.

A orientação nutricional à gestação é de fundamental importância para o bem-estar da gestação e pleno desenvolvimento fetal; sabe-se que filhos de mães diabéticas ou que se tornaram diabéticas durante a gestação e não foram adequadamente conduzidas tem maior chance de desenvolver doenças metabólicas, tais como, diabete melito, dislipidemias, obesidade e doenças cardiovasculares como infarto agudo do miocárdio.

O pré-natal da obesa, da gestante diabética, da gestante que se tornou obesa e/ou diabética é considerado acompanhamento de gestação de alto-risco; hoje os protocolos de investigação e acompanhamento estão muito bem estabelecidos e constam de exames laboratoriais em cronologia adequada à idade gestacional, bem como exames biofísicos seriados onde se destaca a avaliação ultrassonográfica, medidas de fluxo sanguíneo materno e fetal que permite ao obstetra experiente fazer com que mesmo nestas circunstâncias se ter um desfecho feliz para a futura mamãe e seu filho tão desejado.

PauloBandeira

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