As recomendações para isolamento e distanciamento social impostas pela pandemia de COVID-19, o medo da população de se expor ao vírus e outros fatores estruturais levaram a uma importante redução na procura pela vacinação em 2020, intensificando um movimento de queda de coberturas verificado no Brasil desde 2020. O cenário resultou em um grande contingente de crianças em atraso com seus calendários vacinais.

Mesmo em isolamento social, o atraso na vacinação gera riscos. Entre janeiro e outubro de 2020, mais de 8.000 casos de sarampo foram confirmados no Brasil.

Com a perspectiva de retorno das atividades em escolas e creches, as baixas coberturas podem trazer consequências epidemiológicas precoces e sérias, como surtos e aumento no número de casos de doenças imunopreveníveis, o que impactaria negativamente na capacidade de assistência dos nossos sistemas de saúde público e privado, já afetados pela COVID-19.

Diante disso, são necessárias ações para acelerar os calendários, evidentemente respeitando as recomendações para cada faixa etária e os intervalos mínimos entre as doses de uma mesma vacina e/ou diferentes vacinas.

Sempre que possível, deve-se adotar a multivacinação (aplicação do maior número possível de vacinas na mesma visita).

Cristina Albuquerque, chefe da Área de Saúde e HIV/AIDS do UNICEF no Brasil, pondera que o medo de comparecer às salas de vacinação é compreensível no contexto atual, mas lembra que as doenças preveníveis por vacina também são extremamente perigosas e capazes de levar à morte ou deixar sequelas.

“A pandemia de COVID-19 é uma situação inédita para a nossa geração. No entanto, outras infecções graves continuam a circular. A meningite bacteriana, por exemplo, pode levar à morte em poucas horas. Não podemos nos descuidar”, alerta.

O presidente do Departamento de Imunizações da SBP e membro da Comissão Técnica para Revisão dos Calendários Vacinais da SBIm, Renato Kfouri, lembra que o Brasil já vinha de um movimento de queda progressiva nas coberturas vacinais. A consequência mais imediata foi a perda, em 2019, do certificado de eliminação do sarampo, conquistado pouco menos de três anos antes.

“A volta do sarampo foi um retrocesso inaceitável, extremamente frustrante para todos que atuaram ao longo de décadas para alcançar a conquista. Agora, temos um longo caminho a percorrer. Esperamos que a publicação venha contribuir para que o mesmo não aconteça com outras enfermidades, como a poliomielite, por exemplo”, afirma.

Cuide da caderneta de vacinação da sua família, a vacina salva vidas, cuide de quem você ama.

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