Desde quando foi declarada a pandemia em março de 2020, com o conhecimento do novo Coronavírus, iniciou o confinamento social, restrições rígidas ao contato interpessoal, alterações inesperadas na rotina familiar, e o aumento, das queixas comportamentais, cognitivas e psíquicas nos consultórios pediátricos.

O afastamento dos entes queridos, a perda da liberdade de ir e vir, as incertezas e o medo de contrair a doença geralmente trazem consequências emocionais, tais como alterações do humor e ansiedade. A falta de contato com outras crianças, na escola ou em ambientes de convivência, atrasa ou altera o desenvolvimento. A interação comunicativa advinda do convívio com outras crianças promove o aumento do repertório linguístico e social, mas o confinamento interrompeu tais interações.

No atual cenário de isolamento social prolongado, temos nos deparado com crianças que estão privadas dessa rotina desejável de convivência, ao mesmo tempo, destinadas a passarem horas diante de telas (televisão, celular, tablet, vídeo game, ...) que lhes roubam um precioso tempo de aprendizagem e interação, com ausência de reciprocidade social e afeto.

Na pandemia, tem-se usado o termo homeschooling, para descrever a educação à distância, quando os pais ou responsáveis precisam assumir o papel de professores com o apoio virtual das instituições de ensino. A educação à distância tornou-se a única opção para este tempo de isolamento social, trazendo consigo desafios enormes para os alunos e seus responsáveis. Isso gera preocupações além das questões do aprendizado formal, pois as evidências mostram que, quando estão fora da escola, as crianças praticam menos atividades físicas, usam telas por longas horas, têm hábitos de sono irregulares e seguem dietas menos adequadas, aumentando risco de obesidade infantil.

Dicas para ajudar as crianças no período de isolamento:

• Montar um cronograma de horários e, na medida do possível, estabelecer uma rotina semelhante à que eles tinham quando iam à escola;

• Manter a comunicação com amigos, colegas e professores por meios virtuais;

• Explorar a criatividade das crianças e ajudando-as a descobrir novas atividades;

• Estimular brincadeiras e exercícios físicos.

Riscos e benefícios do retorno à escola

Não existe consenso sobre quais seriam os riscos reais da convivência escolar diária para alunos, professores e suas famílias no que diz respeito ao retorno das escolas durante a pandemia por Covid 19. O risco da paralisação das atividades escolares para crianças e adolescentes, especialmente por tempo prolongado, é o de afetar de forma permanente seu desenvolvimento biopsicossocial, além das perdas no processo formal de aprendizagem.

Enfim, estamos enfrentando um problema inédito de proporções globais, e a escassez de estudos epidemiológicos nesse momento complica a tomada de decisões. Mas, devemos instituir todas as medidas possíveis para minimizar a propagação continuada do novo coronavírus entre as crianças e seus familiares e responsáveis após a reabertura de creches e escolas. No atual contexto de aumento no número de casos, superlotação de hospitais não há dúvida que ainda não é o momento de retorno as aulas presenciais.

Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria

NataliaTeixeira

 

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